domingo, 15 de janeiro de 2012

Abre Los Ojos!

Assisti na semana passada a um desses filmes que faz a gente ficar pensando na vida, refletindo sobre o nosso estado. Na verdade, esse filme vai além dessas reflexões, ele nos faz pensar na diferença entre sonho e realidade. Mostra-nos um ponto de vista ao qual não estamos acostumados, de que o sonho pode ser tão real quanto a vida. Por fim, acho que é inevitável ao termino do filme que todos façam uma pergunta: Estou sonhando, ou isto é realmente a minha vida? O filme chama-se “Vanilla Sky”, e é uma refilmagem do clássico espanhol “Abre Los Ojos”. O enredo conta a história de um rico e poderoso homem, David Aames, que sofre um acidente de carro e tem seu rosto desfigurado. O que acontece a partir daí é uma mistura de realidade e sonho vividos por David. Incapaz de sorrir, por conta das marcas e cicatrizes no rosto, a vida antes perfeita parece ter perdido o sentido para David. Tenta reconquistar uma mulher que amou por uma só noite, antes do acidente. O fato de não ter a amada incomoda-o mais que o seu rosto desfigurado. As coisas parecem se resolver quando, após algumas cirurgias plásticas, David consegue reconquistar seu rosto e seu amor. Porém o que ele tanto desejara parece ter se tornado um pesadelo, e David se vê perdendo a lucidez. A trama se desenvolve em uma serie de acontecimentos que nem o próprio protagonista consegue entender, e tentamos objetivamente desvendar o que realmente se passa. Somos surpreendidos no final, ao descobrirmos que [Faça um favor, quem nunca assistiu o filme e pretende assisti-lo, assista-o primeiro e depois termine de ler o post] tudo era criação da mente de David, que estava sonhando enquanto encontrava-se congelado (crionizado) num futuro que ele não conhecia. Uma especie de sonho perfeito.


[Talvez o resumo tenha ficado um pouco besta, é o que acontece quando tentamos resumir grandes obras a um paragrafo. Mas o filme é bem legal. Se sua curiosidade não te permitiu parar de ler, mas nunca viu o filme, recomendo que o assista].


O que mais me chamou a atenção no filme foi o fato de um sonho parecer tão real, e no final, David escolher voltar à sua vida, e não continuar no sonho. Ele poderia ter o que quisesse, ser quem quisesse, sentir qualquer coisa, e as sensações seriam verdadeiras. Poderia experimentar muito mais do que qualquer pessoa e teria tempo suficiente para fazer isso. Mas escolheu acordar. É exatamnete esse o ponto em que eu faço minha reflexão. Por que as pessoas preferem a realidade ao sonho? Não é no sonho que fazemos e experimentamos coisas que jamais faremos na vida real? Claro, o sonho não é real. E quem percebe isso? Quantas vezes já parou e percebeu que seu sonho era só um sonho? (O que chamamos de sonho lúcido). Na grande maioria das vezes percebemos que era um sonho após acordarmos. E então a realidade nos parece mais verdadeira. Se um sonho durasse para sempre dificilmente perceberíamos que é “só um sonho”. Podemos ainda trazer a épica reflexão de “Matrix”: -Se você nunca viveu a realidade, como poderia saber a diferença entre o real e a fantasia? A verdade é que nos parece muito mais sensato escolher a realidade, mesmo que ela seja terrivel, a escolher uma fantasia, ainda que esta nos pareça o mais real possível. O homem prefere viver a dura e trágica realidade, a sonhar eternamente com um mundo perfeito.


Eu não sei, mesmo que o sonho não seja real, às vezes acho que é a única possibilidade para ser totalmente feliz. Talvez eu escolhesse o sonho. Talvez não. Enfim, se eu estiver sonhando, e minha vida não for real, me deixe mais um tempo aqui, para decidir o que eu quero, ok? Não me contem a realidade e não me façam escolher! Não me acordem!


Fiquem agora com a épica cena do final do filme, que mescla imagem e trilha sonora perfeitamente. Assistam, vale a pena. E lembrem-se, pular do predio resolve tudo! Mas antes se perguntem: “O que é felicidade pra você?”


Não deixem de ouvir Vanilla Sky do Paul McCartney, trilha sonora do filme!

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