quinta-feira, 25 de junho de 2020

Reclusos





Estamos há aproximadamente quatro meses em quarentena, reclusos. Ou deveríamos estar. Uma pandemia assola o planeta e brigamos para saber se o risco é real, ou se alguém está tirando proveito político da situação. De uma forma ou de outra, concordamos em uma coisa: é uníssona a vontade de que a pandemia acabe. Poderíamos sair das nossas casas, sem as máscaras, e voltar a ter contato social. Mas por que exatamente o isolamento social nos incomoda tanto?


Não há relatos na literatura de ser humano que tenha se desenvolvido de forma associal. Todos nós, em menor ou maior escala, dependemos uns dos outros. Mas qual é essa essência que nos faz ficar mal por sermos forçados a nos isolar? Veja bem, haveria em toda a nossa história momento mais oportuno que este para uma quarentena? Podemos conversar instantaneamente uns com os outros de um dispositivo que cabe na palma da mão, temos acesso a todo conhecimento já produzido pela humanidade na internet e podemos ver filmes, series e qualquer outra coisa que imaginarmos sem sair de casa. É bem verdade que usamos essa tecnologia mais para lazer e humor do que para qualquer outra coisa, criando nosso próprio alívio cômico (técnica utilizada em narrativas e filmes em que uma situação ou personagem engraçado divide a cena com uma situação ou personagem dramático fornecendo uma espécie de quebra de tensão) do dia a dia; mas isso não vem ao caso. Os Memes são o alívio cômico do cotidiano! Agora, voltando à questão principal, em que outra época teria sido melhor viver a quarentena? Num tempo em que não havia internet, ligações telefônicas (e a própria linha telefônica) eram caras? Num momento em que nos comunicávamos por cartas, e já teríamos a essa altura lido todos os livros disponíveis na estante? Do que exatamente estamos reclamando?


Ser forçado ao isolamento social nos leva a um certo pessimismo e insatisfação, muito porque, somos obrigados a conviver com nós mesmos e às vezes nossos familiares e pessoas mais próximas. Mas principalmente porque somos obrigados a encarar os nossos próprios problemas e dos outros ao redor. Um homem consola-se, bem ou mal, daquilo que perde durante a vida, quando imerso numa rotina de automatismo. Mas não consegue consolar-se a si mesmo quando entra em contato com as questões mais profundas da sua mente, e não há nada para lhe distrair. Nem a internet nem os aplicativos do celular serão suficientes nesse momento, pois nos cansamos facilmente deles. Um indivíduo minimamente dotado de inteligência saberá analisar seus sentimentos e perguntar os porquês, e então a resposta o levará à tristeza.


Isolados, percebemos que perdemos a capacidade (ou nunca soubemos ao certo, para ser mais exato) de conviver irmanamente. Entendemos que boa parte da nossa atividade social era trivial e carecemos de relações profundas uns com os outros. Incomodam-nos os problemas não resolvidos, ecoam em nossos ouvidos os traumas passados. Lembramo-nos das promessas quebradas, dos sonhos não concretizados. Quando estamos sozinhos e olhamos para dentro, nos vemos vazios. Como vasos que se encheram de porcarias que não precisavam para preencher o espaço que os incomodava.


Mas este tempo presente também pode ser ótimo para reflexões. Quando vislumbramos e entendemos tudo aquilo que nos incomoda, se formos verdadeiros, estamos prontos para uma profunda limpeza espiritual. Jogamos fora tudo aquilo que ocupava espaço naquele nosso vaso e aceitamos que o vazio não precisa necessariamente ser preenchido com o que não gostamos. Consertamos pouco a pouco nossos problemas e esculpimos melhor a nós mesmos. E se, por algum motivo ainda não soubermos fazer isso, oras, não é exatamente um problema. A quarentena pessoal é opcional. Se não estiver disposto a vive-la, apenas vista sua máscara e saia de casa. Afinal de contas, não é como se você nunca tivesse vestido uma máscara para sair em público antes.


Imagem: Excursion Into Philosophy, 1959, Edward Hopper


sábado, 27 de janeiro de 2018

Pressa

Onde vai você menina
Com toda essa pressa caçando a sua vaga no futuro?
A pressa de hoje é o insucesso de amanhã.
O que é pra ser está lá
Te esperando
Diz um ditado que
O que é do homem o bixo não come
Se comeu era do bixo
E nunca foi do homem

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O que é felicidade para você?



Vocês já fizeram de tudo juntos. Ela apareceu na sua vida quando você não esperava nada, foi entrando devagar e ficou. Assistiram filmes e séries abraçados no sofá, compartilharam conversas secretas no whats app. Viajaram. Foram pro exterior juntos, combinaram que queriam conhecer Paris e Londres. Ouvir um som num Pub Inglês e tirar uma foto abraçado com a Torre Eiffel de fundo fazia parte do plano. À noite vocês se beijavam na cama, entrelaçavam as pernas e, na euforia do amor, você confundia as suas pernas com as dela e perdia a noção do seu corpo. Quebraram o recorde de sorrisos que podem ser atingidos numa só noite. Mas, de uma hora pra outra, acabou. Sim, acabou. Ela não quer mais. Ou você não quer, ou quer, não queria mas agora quer de novo, ou não sabem direito o que querem. Mas parece que não faz mais sentido continuar aquilo que viveram. Foi amor? Quem sabe. Amor não acaba, muda, transforma, evolui, não some.  Ocorre que, independente de tudo que viveram, um sentimento de infelicidade vem à tona e um pensamento de que é possível ser mais feliz sozinho te martela a cabeça.


Eis que de repente, não mais que de repente, ela não vai mais à sua casa. Está tudo certo, ela nem tinha muita coisa lá mesmo. Você também não tinha muitas coisas na casa dela. Estão postergando uma conversa pessoalmente mas uma hora ou outra vão precisar pegar aquela muda de roupa, aquele cd, livro, pen drive ou o que quer que seja que você emprestou. Mas ela não vai mais aí. Mesmo tendo te prometido uma noite surpresa na sua casa no ultimo encontro ela não vai mais. Talvez você tenha que ir lá, mas tem medo do que vai encontrar. E aquele jantar que você ia preparar também não vai rolar. Aquele filme que iam assistir juntos? Talvez até assistam, com outros. Talvez não. Mas mais do que o que perderam ou ganharam, a pergunta que você se faz é por quê? Sim, porque. Por que o que foi não é mais? Por que o que poderia ter sido não será? Qual é essa essência básica do ser humano que faz com que o amor acabe, ou que se afaste daquele que ainda ama? A resposta para isso é relativamente simples: A procura da felicidade. 
Isso, felicidade.  Você não estava 100% feliz, alguma coisa te incomodava, você vislumbrou a possibilidade de ser mais feliz, ou menos triste. Entretanto o que não sabe o pobre do ser humano é que a felicidade não é um fim, é um meio. Tampouco pode ser alcançada. A felicidade, alegria plena jamais podem ser alcançadas. Somente podem ser vividas. Não há uma só pessoa na face da Terra que possa afirmar ter descoberto o caminho para a felicidade, embora haja pessoas que podem dizer que são muito felizes. Sabendo disso passamos ao próximo ponto da nossa reflexão: O que é felicidade para você?


O mundo pode ser um lugar difícil. Quem inventou a vida por algum motivo (e eu ainda não descobri qual) nos permitiu dizer Olá, mas não Adeus da forma que gostaríamos. Basta um deslize no volante e bum. Você está comprometido para o resta da vida. Uma bala perdida, uma artéria entupida... Qualquer coisa pode te criar uma dificuldade, uma tristeza imensa. E ao contrario da felicidade, a tristeza sim é um estado de espírito que pode ser alcançado. Uma vez lá, podemos permanecer por anos, para sempre. Sinto informar mas não vamos erradicar a fome no planeta, não vamos acabar com a violência nem com as injustiças. Por isso a pergunta permanece. O que é felicidade para você? Alegrias são pequenos momentos de prazer que podem ser vividos e te trazem bem estar, fazem bem aos outros e aparentemente quanto maior o bem feito ao outro maior o retorno a si. A felicidade pode então ser vivida de pequenos momentos de alegria, ser alcançada por períodos. Dias, semanas, meses. Mas eventualmente algo vai ocorrer para te deixar triste.



Por fim o desejo básico da maioria dos seres humanos (felicidade) se não pode ser alcançado, como pode ser vivido? Já disse. São pequenos atos. A tal viagem a Paris, o Jantar, um abraço. Um beijo. Um carinho. Uma conquista. Um reconhecimento. Cercando-se de pequenos detalhes pode-se viver a felicidade e suportar as adversidades da vida com mais afinco. Mas antes de viver a felicidade há que se perguntar a questão básica: “O que é felicidade para você?” 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O Despertar

Toca o despertador
o homem acorda
Se banha
passa o café
toma o café
É mais um dia de inevitável e estafante rotina
Ele acende um cigarro e vai ao trabalho
É meio dia
São cinco horas
No caminho de volta se dá ao luxo de parar no bar
Uma dose de pinga e uma cerveja, por favor, que hoje é sexta
Cai a noite e caem as pálpebras
São seis horas, toca o despertador
interrompendo mais um sonho
O homem sonhou que chorava
acordou, desligou o despertador e lembrou que era sábado
Fechou os olhos com uma alegria imensurável
E voltou a sonhar que navegava em um rio de lágrimas
Esboçou um sorriso enquanto dormia

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Nostalgia

Não importa quão alegre você esteja,
quão perfeita está a sua vida
ou seu estado de espírito.
Se feliz ou triste,
um dia o passado chega.


Chega como um cheiro,
uma foto,
uma música,
ou o simples ato de cruzar a esquina
da sorveteria preferida dela.
Chega mal educado
invadindo o ambiente
sem pedir licença,

transformando tudo em nostalgia.

Chegam lembranças dos que foram amigos
e dos amigos que se foram.
Dos parentes que viveram
e daqueles que ainda vivem,
mas não vemos há anos.

E dá saudade. 

Você compreende
depois de alguns anos
que viver é contornar a nostalgia.



terça-feira, 29 de abril de 2014

Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody


Depois de muito ouvir, resolvi fazer a minha interpretação da letra desse bela musica do Queen.


Rapsódia: junção de melodias, geralmente de cunho popular(extraído de óperas e operetas), sem formalidade musical. A rapsódia permite ao autor uma liberdade de estilo e maior variação dentro de uma mesma música. Boêmia, da noite, a música de quem curte sair “as if nothing really matters”.

Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see
I'm just a poor boy
I need no sympathy

Because I'm easy come, easy go
A little high, little low
Anyway the wind blows
Doesn't really matter to me, to me
 
Começa quase como um delírio, uma viagem entorpecida, porém conturbada. “No escape from reality”. Você pode se entorpecer mas não escapar da realidade completamente. Às vezes “a little High”, “little low”. Mas não importa, “anyway the wind blows”, não fazia diferença para ele. Não nos esqueçamos do histórico de Freddie Mercury com as drogas.

Mama, just killed a man
Put a gun against his head
Pulled my trigger, now he's dead
Mama, life had just begun
But now I've gone and thrown it all away

Agora vem o perdão, a redenção. As desculpas para a mãe. O homem ao qual se refere, diz ter matado, poderia ser ele mesmo. Matado um homem magnífico, com potencial, cuja vida “had just begun”, mas ele já havia jogado tudo fora.

Mama, oh
Didn't mean to make you cry
If I'm not back again this time tomorrow
Carry on, carry on
As if nothing really matters

Ele não queria fazer sua mãe chorar e realmente se arrepende. Ele não queria matar aquele homem. Se ele não voltar um dia desses, uma noite dessas, da boêmia, não se importe mãe. “Carry on, carry on”. Como se nada disso importasse.

Too late, my time has come
Sends shivers down my spine
Body's aching all the time

Goodbye everybody, I've got to go
Gotta leave you all behind
And face the truth

Agora a desistência. Ele já declarara ter matado o homem (a si próprio), mas agora é oficial. Ele tem que ir, deixar esse mundo em que ele não suporta mais viver, “leave you all behind and face the truth”. Seu corpo já dói, já está cansado. Anseia a partida.

 Mama, oh
I don't want to die
I sometimes wish I'd never been born at all

Mas algo ainda está confuso. Ele quer partir, mas não deseja a morte propriamente dita. Tem que sair, fugir, sumir, deixar todos para trás e enfrentar seu destino. Porém tem medo da morte. O melhor seria não ter nem nascido, nasceu gauche. Sabia que esse mundo jamais o acolheria. Jamais seria capaz de se sentir em casa. Melhor mesmo seria não ter nascido.

I see a little silhouette of a man
Scaramouch, Scaramouch
Will you do the fandango?
Thunderbolt and lightning, very, very frightening me

Agora ocorre um julgamento. Novamente a cena é onírica e talvez entorpecida (“fantasy”). Vê-se a silhueta de um homem, ou o que sobrou do homem. Um palhaço do folclore italiano (Scaramuccia) é requisitado para dançar o fandango (dança espanhola). Nada mais é do que um festival de divertimento público onde as pessoas vão julgar o réu. Palhaços e danças, raios e trovões. E o que restou do homem está assustado agora.

Galileo, Galileo
Galileo, Galileo
Galileo, Figaro, magnifico

But I'm just a poor boy nobody loves me
He's just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity

Talvez pela formação de Brian May em astronomia, talvez pelo julgamento remeter à época renascentista, Galileo é citado. E rege a ópera. Fígaro, Magnifico! Então o réu argumenta. Ele é só um pobre garoto. Vozes argumentam em seu favor também.

Easy come, easy go, will you let me go?
Bismillah!
No, we will not let you go
Let him go

Bismillah!
We will not let you go, let him go
Bismillah!
We will not let you go, let me go
Will not let you go, let me go, never
Never let you go, let me go

Never let me go, oh
No, no, no, no, no, no, no

Bismillah, que em árabe significa “Em nome de Deus!”. O garoto pede para ir embora, pede clemência, mas vozes em coro gritam dizendo que não o deixarão ir.

Oh mama mia, mama mia
Mama mia, let me go
Beelzebub has a devil put aside for me
For me, for me

Agora ele volta a falar diretamente com a mãe. Ele realmente sente muito, gostaria de não estar ali. Mas mostra que se conformou com seu destino, afinal de contas, Belzebu (o segundo na hierarquia bíblica do inferno) já havia colocado um demônio em seu caminho. Desde sempre houvera ao seu lado um demônio, e o seu lugar no inferno era predestinado. Não tinha como escapar, qualquer argumentação era inútil.

So you think you can stone me
And spit in my eye?
So you think you can love me
And leave me to die?

Interessante agora é a dualidade da palavra Stone. Em um sentido, ele reclama de ser “apedrejado” por pessoas que acham que podem julgá-lo. Em outro, ele pode estar falando diretamente com as drogas. Você acha que pode vir aqui e “Stone me”, me chapar, ter uma relação de amor comigo e depois me deixar para a morte “leave me to die”?

Oh baby, can't do this to me baby
Just gotta get out
Just gotta get right outta here

Você não pode fazer isso com ele, ele percebeu o mal que você faz e precisa sair, precisa sair daqui. (falando diretamente com as drogas, seu maior amor e vício).


Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters
Nothing really matters to me

Anyway the wind blows


Mas, de qualquer forma, ele já tinha um demônio ao seu lado. Pra que lutar? O inferno realmente estava predestinado, não importa pra onde sopre o vento! Nunca importou, para Freddie Mercury nunca importou!

O amor e a Geração Y

Por conta do aplicativo LULU (aquele em que as mulheres podem classificar os homens e consultar o histórico de um cara que estão afim, para ver como outras mulheres o classificaram) eu fiz algumas reflexões sobre a geração Y e os relacionamentos. Será que é realmente necessário um aplicativo para que você possa conhecer melhor uma pessoa? Já ouviram falar em conversa?
Muito se fala no despreparo da geração Y para lidar com as frustrações da vida, trabalho, etc. Mas pouco se fala sobre a influência dessa geração nas relações interpessoais amorosas. É a geração que não sabe perder, ceder, construir algo que demore. Só podia ser infeliz também nos relacionamentos. Falta a paciência de conviver e o bom senso de saber que uma relação se constrói, não nasce pronta. Sabemos como ninguém atender às nossas paixões, saímos para curtir com pessoas que acabamos de conhecer. E essa curtição não tem limites. Hoje transar é algo normal, banal até. É o pré-requisito básico de todo relacionamento, sexo bom. Todo mundo experimenta antes de namorar para saber com quem está se envolvendo. Se o sexo for ruim logo na primeira vez, já descartamos a parceira. Como se tivéssemos a obrigação de ser tudo aquilo que a pessoa procura já no primeiro encontro, e nada pudesse ser construído ou melhorado com a convivência. Mas não se preocupe, a recíproca é verdadeira. Se a pessoa não lhe satisfizer em todos os aspectos que você procura, sinta-se a vontade para dispensá-la. Pois nós, da geração Y, tornamos o relacionamento descartável. E para lidar melhor com nossas frustrações amorosas, banalizamos o sexo e ridicularizamos o amor romântico. Ou melhor, matamos o romantismo. Mudamos a mentalidade do mundo, e não a nossa, mas ainda não aprendemos a construir algo juntos.
 A última que eu vi foi a respeito do poliamor, poligamia, ou como quiserem chamar. Pessoas defendendo que seria impossível ser feliz com um só parceiro, que o casamento e os relacionamentos monogâmicos são uma instituição falida, que se baseiam na hipocrisia e só por isso conseguem durar tanto tempo. Já o poliamor, ao contrário, é verdadeiro, pois não impede a pessoa de viver aquilo que ela quer, que ela sente. Não nos limita a amar uma só pessoa.
Lembrem-se, seus pais chamavam a “hipocrisia” da monogamia de perseverança. Eles não acreditavam que todos precisavam se entender num relacionamento, muito menos se encaixar em todos os aspectos da vida. Acreditavam que era preciso Amar, e só isso bastava. Com amor, qualquer relacionamento poderia ser construído.


Por isso afirmo, nossa geração matou o romantismo, banalizou o sexo e ridicularizou o amor. Corremos o risco agora de matar o Amor e ridicularizar o sexo, e então, a superficialização das relações será ainda maior do que a que temos hoje. E a nossa geração cada vez mais infeliz nos relacionamentos, trocando de parceiras mensalmente, dizendo que o amor da sua vida ainda não chegou! Sinto informar, não chegará!