terça-feira, 29 de abril de 2014

Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody


Depois de muito ouvir, resolvi fazer a minha interpretação da letra desse bela musica do Queen.


Rapsódia: junção de melodias, geralmente de cunho popular(extraído de óperas e operetas), sem formalidade musical. A rapsódia permite ao autor uma liberdade de estilo e maior variação dentro de uma mesma música. Boêmia, da noite, a música de quem curte sair “as if nothing really matters”.

Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see
I'm just a poor boy
I need no sympathy

Because I'm easy come, easy go
A little high, little low
Anyway the wind blows
Doesn't really matter to me, to me
 
Começa quase como um delírio, uma viagem entorpecida, porém conturbada. “No escape from reality”. Você pode se entorpecer mas não escapar da realidade completamente. Às vezes “a little High”, “little low”. Mas não importa, “anyway the wind blows”, não fazia diferença para ele. Não nos esqueçamos do histórico de Freddie Mercury com as drogas.

Mama, just killed a man
Put a gun against his head
Pulled my trigger, now he's dead
Mama, life had just begun
But now I've gone and thrown it all away

Agora vem o perdão, a redenção. As desculpas para a mãe. O homem ao qual se refere, diz ter matado, poderia ser ele mesmo. Matado um homem magnífico, com potencial, cuja vida “had just begun”, mas ele já havia jogado tudo fora.

Mama, oh
Didn't mean to make you cry
If I'm not back again this time tomorrow
Carry on, carry on
As if nothing really matters

Ele não queria fazer sua mãe chorar e realmente se arrepende. Ele não queria matar aquele homem. Se ele não voltar um dia desses, uma noite dessas, da boêmia, não se importe mãe. “Carry on, carry on”. Como se nada disso importasse.

Too late, my time has come
Sends shivers down my spine
Body's aching all the time

Goodbye everybody, I've got to go
Gotta leave you all behind
And face the truth

Agora a desistência. Ele já declarara ter matado o homem (a si próprio), mas agora é oficial. Ele tem que ir, deixar esse mundo em que ele não suporta mais viver, “leave you all behind and face the truth”. Seu corpo já dói, já está cansado. Anseia a partida.

 Mama, oh
I don't want to die
I sometimes wish I'd never been born at all

Mas algo ainda está confuso. Ele quer partir, mas não deseja a morte propriamente dita. Tem que sair, fugir, sumir, deixar todos para trás e enfrentar seu destino. Porém tem medo da morte. O melhor seria não ter nem nascido, nasceu gauche. Sabia que esse mundo jamais o acolheria. Jamais seria capaz de se sentir em casa. Melhor mesmo seria não ter nascido.

I see a little silhouette of a man
Scaramouch, Scaramouch
Will you do the fandango?
Thunderbolt and lightning, very, very frightening me

Agora ocorre um julgamento. Novamente a cena é onírica e talvez entorpecida (“fantasy”). Vê-se a silhueta de um homem, ou o que sobrou do homem. Um palhaço do folclore italiano (Scaramuccia) é requisitado para dançar o fandango (dança espanhola). Nada mais é do que um festival de divertimento público onde as pessoas vão julgar o réu. Palhaços e danças, raios e trovões. E o que restou do homem está assustado agora.

Galileo, Galileo
Galileo, Galileo
Galileo, Figaro, magnifico

But I'm just a poor boy nobody loves me
He's just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity

Talvez pela formação de Brian May em astronomia, talvez pelo julgamento remeter à época renascentista, Galileo é citado. E rege a ópera. Fígaro, Magnifico! Então o réu argumenta. Ele é só um pobre garoto. Vozes argumentam em seu favor também.

Easy come, easy go, will you let me go?
Bismillah!
No, we will not let you go
Let him go

Bismillah!
We will not let you go, let him go
Bismillah!
We will not let you go, let me go
Will not let you go, let me go, never
Never let you go, let me go

Never let me go, oh
No, no, no, no, no, no, no

Bismillah, que em árabe significa “Em nome de Deus!”. O garoto pede para ir embora, pede clemência, mas vozes em coro gritam dizendo que não o deixarão ir.

Oh mama mia, mama mia
Mama mia, let me go
Beelzebub has a devil put aside for me
For me, for me

Agora ele volta a falar diretamente com a mãe. Ele realmente sente muito, gostaria de não estar ali. Mas mostra que se conformou com seu destino, afinal de contas, Belzebu (o segundo na hierarquia bíblica do inferno) já havia colocado um demônio em seu caminho. Desde sempre houvera ao seu lado um demônio, e o seu lugar no inferno era predestinado. Não tinha como escapar, qualquer argumentação era inútil.

So you think you can stone me
And spit in my eye?
So you think you can love me
And leave me to die?

Interessante agora é a dualidade da palavra Stone. Em um sentido, ele reclama de ser “apedrejado” por pessoas que acham que podem julgá-lo. Em outro, ele pode estar falando diretamente com as drogas. Você acha que pode vir aqui e “Stone me”, me chapar, ter uma relação de amor comigo e depois me deixar para a morte “leave me to die”?

Oh baby, can't do this to me baby
Just gotta get out
Just gotta get right outta here

Você não pode fazer isso com ele, ele percebeu o mal que você faz e precisa sair, precisa sair daqui. (falando diretamente com as drogas, seu maior amor e vício).


Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters
Nothing really matters to me

Anyway the wind blows


Mas, de qualquer forma, ele já tinha um demônio ao seu lado. Pra que lutar? O inferno realmente estava predestinado, não importa pra onde sopre o vento! Nunca importou, para Freddie Mercury nunca importou!

O amor e a Geração Y

Por conta do aplicativo LULU (aquele em que as mulheres podem classificar os homens e consultar o histórico de um cara que estão afim, para ver como outras mulheres o classificaram) eu fiz algumas reflexões sobre a geração Y e os relacionamentos. Será que é realmente necessário um aplicativo para que você possa conhecer melhor uma pessoa? Já ouviram falar em conversa?
Muito se fala no despreparo da geração Y para lidar com as frustrações da vida, trabalho, etc. Mas pouco se fala sobre a influência dessa geração nas relações interpessoais amorosas. É a geração que não sabe perder, ceder, construir algo que demore. Só podia ser infeliz também nos relacionamentos. Falta a paciência de conviver e o bom senso de saber que uma relação se constrói, não nasce pronta. Sabemos como ninguém atender às nossas paixões, saímos para curtir com pessoas que acabamos de conhecer. E essa curtição não tem limites. Hoje transar é algo normal, banal até. É o pré-requisito básico de todo relacionamento, sexo bom. Todo mundo experimenta antes de namorar para saber com quem está se envolvendo. Se o sexo for ruim logo na primeira vez, já descartamos a parceira. Como se tivéssemos a obrigação de ser tudo aquilo que a pessoa procura já no primeiro encontro, e nada pudesse ser construído ou melhorado com a convivência. Mas não se preocupe, a recíproca é verdadeira. Se a pessoa não lhe satisfizer em todos os aspectos que você procura, sinta-se a vontade para dispensá-la. Pois nós, da geração Y, tornamos o relacionamento descartável. E para lidar melhor com nossas frustrações amorosas, banalizamos o sexo e ridicularizamos o amor romântico. Ou melhor, matamos o romantismo. Mudamos a mentalidade do mundo, e não a nossa, mas ainda não aprendemos a construir algo juntos.
 A última que eu vi foi a respeito do poliamor, poligamia, ou como quiserem chamar. Pessoas defendendo que seria impossível ser feliz com um só parceiro, que o casamento e os relacionamentos monogâmicos são uma instituição falida, que se baseiam na hipocrisia e só por isso conseguem durar tanto tempo. Já o poliamor, ao contrário, é verdadeiro, pois não impede a pessoa de viver aquilo que ela quer, que ela sente. Não nos limita a amar uma só pessoa.
Lembrem-se, seus pais chamavam a “hipocrisia” da monogamia de perseverança. Eles não acreditavam que todos precisavam se entender num relacionamento, muito menos se encaixar em todos os aspectos da vida. Acreditavam que era preciso Amar, e só isso bastava. Com amor, qualquer relacionamento poderia ser construído.


Por isso afirmo, nossa geração matou o romantismo, banalizou o sexo e ridicularizou o amor. Corremos o risco agora de matar o Amor e ridicularizar o sexo, e então, a superficialização das relações será ainda maior do que a que temos hoje. E a nossa geração cada vez mais infeliz nos relacionamentos, trocando de parceiras mensalmente, dizendo que o amor da sua vida ainda não chegou! Sinto informar, não chegará!

E o tempo passou

Eu vejo o tempo passando
Tenho apenas 23 anos e já vejo o tempo passando
As pessoas ao meu redor envelhecendo
Olho os amigos, os parentes
Estão mudados
E toda história que não foi, mas poderia ter sido
Vai se perdendo no tempo
Junto com as lembranças
E os fios de cabelo branco

Mas, tão belo o tempo,
proporciona coisas inimagináveis
E você reencontra aquele antigo amigo de infância
Um colega de faculdade
Um antigo amor, o primeiro amor

É nesse momento,
depois de algumas risadas
De uma longa conversa
Ou somente uma troca de olhares
Que você se sente exatamente como naquela época
Vive no passado por alguns segundos
Faz uma viagem, regressa no tempo
E retorna ao presente

O engraçado é que quando você encontra essas pessoas
Elas te mostram mais sobre você do que sobre elas mesmas
Elas te dão a oportunidade de sentir-se exatamente como se sentia no passado
Mas pensando racionalmente, no presente
Com mais maturidade
E então você enxerga a feiura da ex namorada,
A cafonice do antigo melhor amigo,
A sua preocupação descabida e exagerada com algo que sequer veio a acontecer

É como estudar história
Só que aqui, você é o Rei

A alegria, que se transforma em tristeza, que se transforma em alegria, que se transforma...

Hoje o mundo amanheceu mais triste. 
Morreu um grande homem, já senhor, digno e trabalhador. Deixa filhos e netos. Que Deus os console. 
Eu não o conhecia, mas sei que esse senhor morreu hoje em algum lugar do mundo. 
Ontem também teve um velório no Cemitério do Araçá. Não sei se era de um homem, mulher ou criança. Mas ontem teve um velório. E novamente o mundo amanheceu mais triste. 
Mas nessa madrugada também nasceu o João, primeiro filho de um casal apaixonado. E amanheceu um dia mais feliz! Que Deus os abençoe!
A Ana deu os seus primeiros passos, o Luís disse sua primeira palavra, a Amanda deu o seu primeiro beijo.
E todos irão dormir esperando que o dia seguinte amanheça mais feliz que o de hoje.
Mas de madrugada o Humberto voltou bêbado pra casa, bateu na mulher e nos filhos.
E o dia amanheceu triste de novo.

O Mundo

Cansado deste mundo
e de tudo que dele é oriundo.
Família. Amigos? Amores.
Casa, trabalho e outras dores.
De mim mesmo.

Mas como cansado?  Perguntar-me-ão os otimistas.
Cansado oras. Não há mais beleza, não há artistas!
Vivi tempo suficiente para notar nessa cidade
 a mentira, a raiva, a hipocrisia e a maldade.
E os seres humanos.

O que é a família?
Pai, Mãe, Irmãos, Filha.
Há na família uma certa cobrança
ainda te tratam como uma criança.
Realize os sonhos frustrados dos seus pais.

Quem são os amigos?
São aqueles? Os mais antigos?
Ou os de um tempo mais recente
que às vezes parecem esquecer-se da gente?!
Amigo não há, senão o seu cão.

O que são os amores?
Agora, eu creio, meus caros leitores
que isso nem Camões pôde responder.
No entanto, para mim, amar é sofrer.
A arte de ver a beleza no feio.

Minha casa, essa sim, é um belo recanto.
Lugar onde eu chego e deito em qualquer canto.
Tiro os sapatos, faço o que tenho vontade.
No entanto, assim que ir à padaria torna-se uma necessidade.
Volto ao mundo sujo e putrefato.

E o que há de belo no árduo trabalho?
Senão a possibilidade de tornar-te grisalho.
Preocupações, fracassos, falha.
Muito estudo também, noites em claro, quando um belo dia um canalha
assume a posição de chefe e te humilha.

Porém, quais são as outras dores que eu sinto?
O que diria um primata, antecessor do Homem, já extinto,
que vivia em completa harmonia com a natureza?
E nela só via beleza.
Se não foi o homem que estragou o mundo?


Volto a mim, ao meu estado de espírito.
Que ficou assim por assistir calado, foi empírico.
Vi o homem e sua relação com o planeta Terra.
E o que me deixou mais triste foi a Guerra.
O mundo é belo, e vai continuar aqui.