sábado, 17 de novembro de 2012

Tipos de Amor

Resolvi abordar um tema um pouco contraditório na nossa sociedade, mas talvez o mais presente em nossas vidas. Não sabemos como lidar ou reagir com as nossas dúvidas amorosas, exatamente por que conhecemos muito pouco sobre o amor. Falar, ou escrever de amor é um tanto quanto subjetivo. Para começar existem varias formas de amor, e em outras línguas, varias palavras para designá-las. Há por exemplo o amor que temos pela nossa família. Não chega a ser incondicional, mas é algo do tipo, querer ver a pessoa bem, não importando o seu estado. É quando a felicidade do outro independe da sua felicidade. Mas não é esse amor que é o foco do texto. Estamos falando do amor que surge numa relação afetiva entre um casal.

Há um amor, cientificamente definido como “amor apaixonado”, intenso, vem acompanhado de alterações fisiológicas, desejo. É o primeiro tipo de amor que surge numa relação, e o que motiva e inicialmente alavanca uma relação. É o que te faz suar frio quando você olha nos olhos da pessoa e a pede em namoro. É um desassossego que só melhora na presença da pessoa amada. Tem duração curta, geralmente seis meses, e sempre acaba. Popularmente é conhecido como paixão! Se as relações dependessem exclusivamente do “amor apaixonado” estariam fadadas a durar pouco e ser altamente intensas. Então, depois da fase inicial, quando conhecemos melhor a pessoa, passamos a sentir o que se chama “compromisso amoroso”, afeto, intimidade em relação ao outro, sem alterações fisiológicas. É aí que as pessoas tem diferentes formas de amar, cada qual do seu jeito. Por isso as frustrações nos relacionamentos vem após aquela fase inicial, aqueles seis meses de êxtase e paixão.


Segundo a filosofia há sete tipos de amor, e as relações interpessoais são fundamentadas na mescla desses tipos. Os tipos de amor são:

Eros, um amor apaixonado, com desejo e atração sensual. O mais importante nesse amor é a aparência física do ser amado. Eros originou a palavra erótica.

Psiquê, um amor espiritual, baseado nos sentimentos eternos e na mente. Mais comum em entidades religiosas e adoração divina.

Ludus, o amor brincalhão. Aqui o objeto da satisfação não é a pessoa amada, mas a conquista e o caminho percorrido até os finalmentes. O desafio da conquista é mais atraente do que a pessoa que se tenta seduzir. Pessoas lúdicas evitam compromisso, podem cultivar mais de uma relação ao mesmo tempo, e toda semana tem uma nova paixão.

Storge, o amor afetuoso. Baseado na similaridade com a pessoa amada, pode levar grande tempo para se desenvolver. É quando a pessoa amada é também sua melhor amiga. Storge é o nome da divindade grega da amizade. Aqui a atração física não é o principal, o amor se fundamenta na confiança e valores compartilhados dos parceiros. Pode até ignorar o sexo e o contato físico. Os amantes do tipo Storge revelam grande satisfação com a vida afetiva.

Pragma, o amor pragmático, que valoriza o lado prático das coisas. Pessoas pragmáticas tendem a avaliar todas as possíveis implicações antes de entrar num relacionamento. Procuram um bom pai ou uma boa mãe para seu filho, pensam no futuro. Tem um lista de pré-requisitos para o parceiro e estão sempre cheios de perguntas, tentando achar a pessoa que lhe dê o melhor futuro possível.

Mania, amor altamente emocional e instável. Estereótipo do amor apaixonado, romântico. Aqui a relação é conturbada e os amantes vivem um dia no céu, outro no inferno. É um amor obsessivo e ciumento, em que o indivíduo sempre acha que ama mais do que é amado. Exige provas de amor à todo instante e pode cometer loucuras. Tem medo de ser abandonado pelo parceiro.

Ágape, em grego significa generosidade. A dedicação ao ser amado vem sempre antes do próprio interesse. Aqui o amante não se importa em abrir mão de certas coisas pela felicidade da pessoa amada, e pode chegar ao ponto de renunciar o parceiro se achar que ele será mais feliz com outra pessoa. Investe constantemente no relacionamento, mesmo sem ser correspondido.

  Cada pessoa tem seu tipo, ou uma mistura desses tipos de amor. Passado aquele tempo de paixão, às vezes somos obrigados a conviver com pessoas que tem um tipo de amor totalmente diferente do nosso. Então começam as discordâncias nos relacionamentos. Não significa que a pessoa não te ama, na verdade nunca te ensinaram o que é amor, ou o que são os amores! Há diversas teorias que analisam as probabilidades de o relacionamento dar certo baseado nos tipos de amor presentes. De acordo com pesquisas os homens tendem a ser mais lúdicos e maníacos, enquanto as mulheres tendem a ser stórgicas e pragmáticas. Relacionamentos em que estão presentes amores de estilos semelhantes tendem a durar mais tempo.

Parece muito legal quando se é jovem e inexperiente viver os amores intensamente, investir tudo numa relação, não ter “medo” de começar. As pessoas mais velhas às vezes parecem covardes, já calejadas pela vida, sem coragem para se jogar de cara. Na verdade isso é uma tremenda burrice. Quando a paixão passa temos que conviver com o amor, e é melhor analisar e escolher a pessoa que mais se assemelha com os seus ideais, e não deixar a paixão tomar conta, para depois se adaptar ao estilo da pessoa. Em suma, nenhum relacionamento sobrevive só de paixão!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Abre Los Ojos!

Assisti na semana passada a um desses filmes que faz a gente ficar pensando na vida, refletindo sobre o nosso estado. Na verdade, esse filme vai além dessas reflexões, ele nos faz pensar na diferença entre sonho e realidade. Mostra-nos um ponto de vista ao qual não estamos acostumados, de que o sonho pode ser tão real quanto a vida. Por fim, acho que é inevitável ao termino do filme que todos façam uma pergunta: Estou sonhando, ou isto é realmente a minha vida? O filme chama-se “Vanilla Sky”, e é uma refilmagem do clássico espanhol “Abre Los Ojos”. O enredo conta a história de um rico e poderoso homem, David Aames, que sofre um acidente de carro e tem seu rosto desfigurado. O que acontece a partir daí é uma mistura de realidade e sonho vividos por David. Incapaz de sorrir, por conta das marcas e cicatrizes no rosto, a vida antes perfeita parece ter perdido o sentido para David. Tenta reconquistar uma mulher que amou por uma só noite, antes do acidente. O fato de não ter a amada incomoda-o mais que o seu rosto desfigurado. As coisas parecem se resolver quando, após algumas cirurgias plásticas, David consegue reconquistar seu rosto e seu amor. Porém o que ele tanto desejara parece ter se tornado um pesadelo, e David se vê perdendo a lucidez. A trama se desenvolve em uma serie de acontecimentos que nem o próprio protagonista consegue entender, e tentamos objetivamente desvendar o que realmente se passa. Somos surpreendidos no final, ao descobrirmos que [Faça um favor, quem nunca assistiu o filme e pretende assisti-lo, assista-o primeiro e depois termine de ler o post] tudo era criação da mente de David, que estava sonhando enquanto encontrava-se congelado (crionizado) num futuro que ele não conhecia. Uma especie de sonho perfeito.


[Talvez o resumo tenha ficado um pouco besta, é o que acontece quando tentamos resumir grandes obras a um paragrafo. Mas o filme é bem legal. Se sua curiosidade não te permitiu parar de ler, mas nunca viu o filme, recomendo que o assista].


O que mais me chamou a atenção no filme foi o fato de um sonho parecer tão real, e no final, David escolher voltar à sua vida, e não continuar no sonho. Ele poderia ter o que quisesse, ser quem quisesse, sentir qualquer coisa, e as sensações seriam verdadeiras. Poderia experimentar muito mais do que qualquer pessoa e teria tempo suficiente para fazer isso. Mas escolheu acordar. É exatamnete esse o ponto em que eu faço minha reflexão. Por que as pessoas preferem a realidade ao sonho? Não é no sonho que fazemos e experimentamos coisas que jamais faremos na vida real? Claro, o sonho não é real. E quem percebe isso? Quantas vezes já parou e percebeu que seu sonho era só um sonho? (O que chamamos de sonho lúcido). Na grande maioria das vezes percebemos que era um sonho após acordarmos. E então a realidade nos parece mais verdadeira. Se um sonho durasse para sempre dificilmente perceberíamos que é “só um sonho”. Podemos ainda trazer a épica reflexão de “Matrix”: -Se você nunca viveu a realidade, como poderia saber a diferença entre o real e a fantasia? A verdade é que nos parece muito mais sensato escolher a realidade, mesmo que ela seja terrivel, a escolher uma fantasia, ainda que esta nos pareça o mais real possível. O homem prefere viver a dura e trágica realidade, a sonhar eternamente com um mundo perfeito.


Eu não sei, mesmo que o sonho não seja real, às vezes acho que é a única possibilidade para ser totalmente feliz. Talvez eu escolhesse o sonho. Talvez não. Enfim, se eu estiver sonhando, e minha vida não for real, me deixe mais um tempo aqui, para decidir o que eu quero, ok? Não me contem a realidade e não me façam escolher! Não me acordem!


Fiquem agora com a épica cena do final do filme, que mescla imagem e trilha sonora perfeitamente. Assistam, vale a pena. E lembrem-se, pular do predio resolve tudo! Mas antes se perguntem: “O que é felicidade pra você?”


Não deixem de ouvir Vanilla Sky do Paul McCartney, trilha sonora do filme!